terça-feira, agosto 07, 2012

Próximas aventuras musicais

Pois bem... fiquei tão fascinado pelo concerto da Camille que vou repetir! Estarei no dia 28/10, em Nîmes, para mais uma dose e, de quebra, poderei conhecer essa que aparentemente é uma bela cidade! Cheia de remanescências da época em que tratava-se de uma cidade romana perdida aqui na Gália. A arena romana de Nîmes é uma construção no estilo do Coliseu romano, com a diferença de ainda estar inteiro! Belo monumento que com certeza vai proporcionar, juntamente com as diversas outras visitações de ruínas romanas da cidade, um ótimo complemento ao meu bis de Camille.


Como se isso não bastasse, eis que antes de ver Camille, verei Dido ao vivo! Em Paris, ela vai se apresentar no dia 30 de setembro em um lugar também fantástico, a Santa Capela de Paris (Sainte Chapelle)! Antiga capela que atualmente foi convertida em sala de espetáculos, geralmente recebendo concertos de música clássica e que vai receber a britânica de voz angelical - nada mais adequado. Vai ser muito bom ouvir canções como Hunter, Thank You, Life for Rent e I'm No Angel ao vivo e em lugar tão bonito! 

O melhor de tudo!? Os preços! Ingressos e passagem de ida e volta para ver Camille não chegaram a 70 euros e por 100 euros vou e volto a Paris, assisto ao concerto e ainda me hospedo em um albergue não tão longe de Sainte Chapelle!




Completando o post com músicas e os versos do dia!

Hunter



 Thank you




 "I want to thank you for giving me the best day of my life..."



sábado, agosto 04, 2012

Às vezes queremos, mas não permitimos.


(Chefe): Nós precisamos de ideias criativas para nosso próximo produto.
(Chefe): Mas não as suas (olhando para o Wally). Suas ideiais são horríveis.
(Chefe): E não sugiram nada que já esteja sendo feito. Isso só serve para evidenciar publicamente sua ignorância.
(Chefe): E não quero ouvir ideiais que custem dinheiro ou que aumentem os riscos.
(Chefe): Como sempre, eu vou avaliar cada ideia repetindo-a lentamente enquanto eu olho para vocês com desdém.
(Chefe): Se vocês aparecerem com uma boa ideia, eu vou deixá-los seguir adiante com o projeto em complemento às suas atividades atuais.
(Chefe): Quem quer começar?
(Chefe): Como eu contratei tantas pessoas que não tem ideias?
(Consultor): Provavelmente má sorte.

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Às vezes queremos muito que as pessoas sejam de alguma forma... mas nem sempre percebemos que o terreno que criamos para que isso aconteça é totalmente estéril.

sexta-feira, agosto 03, 2012

Sobre não entender...

(Colega): Nós precisamos aperfeiçoar nosso suporte de informações relevantes por setor para o nosso pacote de ferramentas de avaliação de risco.
(Colega): Você me entendeu?
(Dilbert): Talvez. Você quis dizer que não sabe se comunicar?
(Colega): Não.
(Dilbert): Oh... então eu não entendi.

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Às vezes não é tão fácil quanto parece. A língua falada ou escrita não são suficientes para nos expressarmos, seja para descrevermos o que pensamos seja para descrevermos o que sentimos. E quando precisamos de uma mistura dos dois, então, Deus salve-nos todos. Hein!?

terça-feira, julho 31, 2012

Camille

Camille conseguiu algo que eu julgava impossível. Ela pôs à prova uma de minhas mais antigas paixões. Quem me conhece sabe que uma das poucas perguntas quanto a minhas preferências que eu não hesito em responder é "qual é a sua cantora favorita?". Björk ocupava esse posto fácil, dona de uma voz possante e única, de um estilo inovador e matreiro, cheia de energia e de experimentalismo, bem ao meu gosto...

Pois bem, já não tenho mais certeza do que eu responderia a essa pergunta. É fato que as virtudes de Björk me fascinam mas também é verdade que após o belo filme Dançando no Escuro e sua tocante trilha sonora Selmasongs (5o. trabalho da carreira solo da islandesa), o experimentalismo passou a dominar sua obra de uma maneira um tanto pedante, sem se preocupar com melodias ou com a "audibilidade" do que produziu depois. Medúlla e Vespertine apresentam tão somente um exercício de estilo e o que dizer da trilha "Drawing Restraint 9", que passa a barreira do irritante. Só com Volta e que Björk de fato voltou a sua melhor forma, entregando um álbum que faz jus ao seu talento, deixando um pouco de lado a sua busca por sons absurdamente originais (e chatos!).

Pois bem, Camille lembra muito a Björk do início de carreira, a Björk pela qual me apaixonei. Ela também tem um controle total sobre sua voz e o seu timbre é ao mesmo tempo marcante e tocante. Não são poucos os arranjos das canções de Camille em que apenas o próprio corpo é usado como instrumento: batucadas em suas bochechas, beat box (percussão feita com a boca), palmas, estalos, sapateado, tudo é permitido para que a sua voz seja embalada da maneira mais natural possível, com arranjos primários. La Jeune Fille aux cheveux blancs (abaixo) e My Home is Where it Hurts, por exemplo, seguem esse estilo.




Camille se diferencia de Björk, com vantagens, pelo bom humor que usa para impregnar suas músicas. No concerto que assisti na última sexta-feira pude notar isso ao perceber que fiquei com um sorriso no rosto durante praticamente as duas horas da apresentação. As suas interpretações são outro show a parte, dona de uma forte presença de palco ela se utiliza de alguns poucos elementos cênicos para ajudar a contar as estórias de suas músicas. Mais interessante ainda é notar que ela alterna com desenvoltura músicas mais bem humoradas (My Man is Married But Not to Me, Cats and Dogs, La France) com outras com uma veia lírica, poética (Aujourd'hui, L'étourderie, Tout Dit) e que a plateia segue a mesma vibração, ora cantando e se divertindo junto ora em completo silêncio, em veneração e reverência completos pela interpretação tocante que estávamos a presenciar.

O palco consiste basicamente de um grande lençol branco estendido ao fundo e uma lâmpada presa a um longo fio que ela utiliza com maestria. Ora para fazer sombras que ajudam a contar sua música, ora para realçar certos elementos (o rosto de um dos músicos, o contrabaixo de outro) e o que eu achei ainda mais genial, em certas músicas em que a letra indicava movimento (partida e chegada, ida de uma pessoa sem se saber se haverá um retorno) ela o arremessava e vê-lo fazer movimentos de pêndulo, projetando ao fundo os instrumentos, os músicos, ela própria à medida que se movimentava ajudava, e muito, a enriquecer a experiência e a fazer sonhar.

Conhecia todas as músicas que ela cantou no show. Ela deixou de cantar três das minhas músicas favoritas e ainda assim estou certo de ter assistido um dos três melhores concertos de minha vida. Mesmo músicas pelas quais não nutria muita simpatia, ao vivo conseguiram ganhar destaque ora pela interpretação (Bubble Lady foi bizarramente contagiante!), ora pelo humor (ver o pianista parar de tocar, se levantar e balançar o corpo de Camille para obter a voz reverberante desejada por ela é algo inusitado e adorável! Veja abaixo um video em que a cena se repete, veja a partir do 1min22).


Os três músicos que a acompanham estão também totalmente entregues ao conceito, usando variados instrumentos e seus corpos como mais um deles. Em várias das canções era difícil entender como os sons estavam sendo produzidos, tamanha a comunhão entre aqueles quatro músicos tornando a nossa experiência única.

Para fechar, Camille foi também genial ao fazer o segundo bis da noite e ao invés de cantar uma das músicas que deixou de fora (talvez uma das 3 que eu tanto aguardei, Pour Que L'Amour Me Quitte, por exemplo!) ela decidiu fazer uma improvisação com os músicos e a plateia, isto é, deixando muito claro que não apenas presenciamos um espetáculo mas fizemos parte dele e que isso é único. Ao nos fazer cantar juntos ela transformou aquela noite em Fourvière em algo particular para cada um de nós que lá estávamos. Camille é demais!


No alto de seu quarto álbum é nítida a sua evolução musical. Ilo Veyou, seu quarto álbum, é o melhor deles. Assim como Homogenic, o quarto álbum de Björk, ainda é o seu melhor. Resta agora aguardar o que Camille vai nos proporcionar com seu talento mas desde já tenho uma certeza, não posso voltar ao Brasil sem assistir a pelo menos mais um concerto dela.

terça-feira, julho 24, 2012

Música do Dia: Home is Where it Hurts




"...A la maison
Dans ma maison
C'est là que j'ai peur
Home is not a harbour
Home home home
Is where it hurts
My home has no heart
My home has no veins
If you try to break in
It bleeds with no stains..."

Músicas podem ganhar nova roupagem, novo significado, de acordo com o momento do ouvinte. Isso é arte em seu estado puro, dependendo sempre da interpretação e do sentimento de quem recebe e não de quem emite. Ao artista não cabe interpretar sua própria obra.

Camille é uma surpresa sempre. Experimental ao extremo. Gosta de correr riscos. Canta em inglês e em francês mas, principalmente, canta com sua voz apaixonante e com sua arte em estado puro. Em casa é que sinto dor. A intimidade, a proximidade, o conforto que são normalmente associados ao lar aqui são substituídos por outros sentimentos, o abandono, o desconforto, a dor, a solidão. E como isso cabe bem em mim atualmente.