O MAR E AS BORBOLETAS
À medida que o tempo passa, aumenta a minha tristeza
Minha felicidade está vinculada ao tempo
Porém, devo reconsiderar, já que o tempo afasta
ao mesmo tempo que aproxima.
Olho no espelho, meus dentes estão trincados...
Espaço para postar opiniões e dicas sobre música, cinema, quadrinhos... enfim, cultura Pop!
quarta-feira, julho 08, 2009
quinta-feira, julho 02, 2009
PARA TODOS NÓS QUE ME HABITAMOS - Coleção do Diabo
Fiz uma compilação de textos meus em 2002 e a batizei de Para Todos Nós que Me Habitamos, já que tratava-se de textos escritos em fases muito diferentes e com propósitos tão diversos, representando vários eus. Aos poucos pretendo publicar esses textos aqui no blog, juntamente com os textos da outra coletânea, Meu Reflexo em um Caco de Vidro.
Coleção do Diabo (Devil's Collection)
Todas as palavras, as palavras mais belas
De nada me adiantariam...
Algumas formas de expressão, talvez as mais sinceras
quem sabe, resolveriam...
Mas o que de fato eu preciso
Só depende de mim...
É daí que vem toda a minha fúria:
uma coleção de pequenas coisas
que juntas são suficientes
para tornarem-me
uma espécie de ovo
que esperou demais.
Nem mesmo as mais belas palavras
Escritas com as mais belas letras
Seriam capazes de saciar a vontade
De demonstrar o que eu sinto...
Coleção do Diabo (Devil's Collection)
Todas as palavras, as palavras mais belas
De nada me adiantariam...
Algumas formas de expressão, talvez as mais sinceras
quem sabe, resolveriam...
Mas o que de fato eu preciso
Só depende de mim...
É daí que vem toda a minha fúria:
uma coleção de pequenas coisas
que juntas são suficientes
para tornarem-me
uma espécie de ovo
que esperou demais.
Nem mesmo as mais belas palavras
Escritas com as mais belas letras
Seriam capazes de saciar a vontade
De demonstrar o que eu sinto...
Música com personalidade e a crise da novidade
Dois temas. Começo pelo segundo. Acredito e noto no comportamento dos próximos que vivemos uma crise da busca pela novidade, em termos de consumo de arte ou entretenimento. Explico, essa crise ocorre quando o que nos sacia é sempre o novo. É evidente que o conceito de qualidade não se perde nessa busca, mas ele é relativizado.
A idéia é mais ou menos a seguinte: não importa se Pato Fu lançou 6 álbuns memoráveis até 2002, com relação aos quais eu tenho o maior apreço. Eu continuo buscando coisas novas, sempre, ainda que não encontre nada tão bom quanto as músicas e músicos que já conhecia e apreciava. E isso ocorre de tal forma que eu consigo passar 10 anos sem ouvir um álbum tão bom quanto Televisão de Cachorro, que eu retomei agora também como parte do processo de "transposição de mídia" dos meus CDs. Eventualmente, em rodas de amigos, ouvia novamente "Antes que Seja Tarde" ou "Canção para Você viver mais", mas já havia muito que não ouvia as ótimas "Nunca Diga", "Licitação" e "Boa Noite".
E aqui é o ponto do primeiro tema. Música com personalidade. Não é legal quando pelo timbre do vocalista ou pelo estilo do riff de guitarra ou pela harmonia dos diferentes elementos no arranjo você consegue identificar o artista, com poucos segundos de música, ainda que talvez seja a sua primeira audição? Como não reconhecer uma música do Smiths/Morrissey? Ou do Pearl Jam, ainda que hajam imitações? Como não reconhecer uma música do Pato Fu, na sua boa fase? Das que citei acima, as duas últimas, com certeza absoluta, só poderiam ter sido compostas por esta banda. Seria impossível conceber que outro conjunto de pessoas pudesse fazer músicas como aquelas, é algo único, identificável sem ser previsível, contagiante por sua natureza única e diversa, é o resultado da combinação artística de pessoas atuando em sua plenitude e isso não pode ser reproduzido ao acaso.
Diferente de tantas e tantas novidades que assumem rótulos que servem para embalar mas também para limitar, enlatar e, assim, mesmificar.
Nada contra as novidades, também vivo em busca delas e diversas são as vezes em que elas me trazem de volta um sorriso ao rosto. Só não acho justo deixar de visitar amigos tão caros e queridos apenas por esta necessidade de novas aventuras. Espero ser mais fiel a partir de agora.
A idéia é mais ou menos a seguinte: não importa se Pato Fu lançou 6 álbuns memoráveis até 2002, com relação aos quais eu tenho o maior apreço. Eu continuo buscando coisas novas, sempre, ainda que não encontre nada tão bom quanto as músicas e músicos que já conhecia e apreciava. E isso ocorre de tal forma que eu consigo passar 10 anos sem ouvir um álbum tão bom quanto Televisão de Cachorro, que eu retomei agora também como parte do processo de "transposição de mídia" dos meus CDs. Eventualmente, em rodas de amigos, ouvia novamente "Antes que Seja Tarde" ou "Canção para Você viver mais", mas já havia muito que não ouvia as ótimas "Nunca Diga", "Licitação" e "Boa Noite".
E aqui é o ponto do primeiro tema. Música com personalidade. Não é legal quando pelo timbre do vocalista ou pelo estilo do riff de guitarra ou pela harmonia dos diferentes elementos no arranjo você consegue identificar o artista, com poucos segundos de música, ainda que talvez seja a sua primeira audição? Como não reconhecer uma música do Smiths/Morrissey? Ou do Pearl Jam, ainda que hajam imitações? Como não reconhecer uma música do Pato Fu, na sua boa fase? Das que citei acima, as duas últimas, com certeza absoluta, só poderiam ter sido compostas por esta banda. Seria impossível conceber que outro conjunto de pessoas pudesse fazer músicas como aquelas, é algo único, identificável sem ser previsível, contagiante por sua natureza única e diversa, é o resultado da combinação artística de pessoas atuando em sua plenitude e isso não pode ser reproduzido ao acaso.
Diferente de tantas e tantas novidades que assumem rótulos que servem para embalar mas também para limitar, enlatar e, assim, mesmificar.
Nada contra as novidades, também vivo em busca delas e diversas são as vezes em que elas me trazem de volta um sorriso ao rosto. Só não acho justo deixar de visitar amigos tão caros e queridos apenas por esta necessidade de novas aventuras. Espero ser mais fiel a partir de agora.
quarta-feira, junho 24, 2009
Música Raivosa
Música é algo que me acompanha e sempre acompanhou. Posso dizer que nasci um músico frustrado.
Primeiramente, por não ter aprendido nenhum instrumento - e nem ter sido muito incentivado à música, na primeira infância, algo irreversível. Mas tive uma infância na presença dela. Meu pai, outrora músico, ainda tinha uma vasta coletânea e insistia em tentar aprender a tocar teclado e em ver minha irmã tocando violão. Essa mesma irmã chegou a cursar aulas de piano por mais de um ano e, com ela, aprendi a ouvir rock'n'roll. E minha mãe contribuiu com Roberto Carlos, alguns "clássicos" sertanejos e "música romântica" - Paul Mauriat incluído - da melhor qualidade. Posso dizer que minha mãe sofreu uma metamorfose desde essa época até hoje, sendo capaz de pedir de aniversário para mim um CD do Nick Cave. ;-)
E eu? Bem, desenvolvi um gosto particular por música e, em especial, por letras de música. Minha necessidade de palavras que evocam sentimentos encontravam eco, inicialmente nas letras progidiosas de Renato Russo ou então cataclísmicas de Raul Seixas. Com o tempo, as letras de música me ofereceram o benefício secundário de aumentar consideravelmente o meu vocabulário de inglês, ao dedicar algumas horas para analisar, decodificar e buscar entender letras de músicas nesta língua. E valia de tudo, de A-ha e U2 a Tindersticks e Pearl Jam.
Porém sempre tinha aversão completa ao "hard-rock", "punk-rock", "heavy-metal" ou qualquer designação que remetesse a "música raivosa". Não entendia como era possível ouvir aquilo e até coisas que hoje considero leves, à época me soavam como gritos.
Durante a universidade essa barreira foi aos poucos sendo rompida, muito por influência de alguns amigos que apresentavam músicas interessantes de Rage Against the Machine a PIL. Comecei a entender melhor o poder de uma música raivosa com sentimento. Me afeiçoei a clássicos do Metallica e do Iron Maiden. Curti Rush. Fui aos poucos fazendo minhas próprias descobertas, ao ponto de me apaixonar por System of a Down sem qualquer influência, descobri catando clipes na MTV. Hoje, sou aficionado pelo SOAD. Música excelente, inclusive como trilha sonora para apoiar a concentração durante o trabalho. ;-)
Hoje voltei a ouvir Rage Against. Estou ripando para Mp3 todos os meus CDs, por ordem alfabética. Hoje terminei de ripar os Rs. Renato Russo, R.E.M, Radiohead, Roberta Sá, Ramones e por aí vai. E Rage Against. Quis ouvir "Killing in the Name" de novo, só para ver se ia gostar. Acho que lá já se iam alguns bons anos. E foi como reencontrar um velho amigo, que me ajudava a estudar para provas, que me ajudava a pular feito bobo na sala, sozinho, gritando e descontando no ar frustrações ou apenas permitindo extravasar emoções. Sim, foi um reencontro interessante e emocionante. Ouvi o álbum todo.
Não vejo a hora de chegar ao "S" e rever os velhos amigos de origem armena...
Primeiramente, por não ter aprendido nenhum instrumento - e nem ter sido muito incentivado à música, na primeira infância, algo irreversível. Mas tive uma infância na presença dela. Meu pai, outrora músico, ainda tinha uma vasta coletânea e insistia em tentar aprender a tocar teclado e em ver minha irmã tocando violão. Essa mesma irmã chegou a cursar aulas de piano por mais de um ano e, com ela, aprendi a ouvir rock'n'roll. E minha mãe contribuiu com Roberto Carlos, alguns "clássicos" sertanejos e "música romântica" - Paul Mauriat incluído - da melhor qualidade. Posso dizer que minha mãe sofreu uma metamorfose desde essa época até hoje, sendo capaz de pedir de aniversário para mim um CD do Nick Cave. ;-)
E eu? Bem, desenvolvi um gosto particular por música e, em especial, por letras de música. Minha necessidade de palavras que evocam sentimentos encontravam eco, inicialmente nas letras progidiosas de Renato Russo ou então cataclísmicas de Raul Seixas. Com o tempo, as letras de música me ofereceram o benefício secundário de aumentar consideravelmente o meu vocabulário de inglês, ao dedicar algumas horas para analisar, decodificar e buscar entender letras de músicas nesta língua. E valia de tudo, de A-ha e U2 a Tindersticks e Pearl Jam.
Porém sempre tinha aversão completa ao "hard-rock", "punk-rock", "heavy-metal" ou qualquer designação que remetesse a "música raivosa". Não entendia como era possível ouvir aquilo e até coisas que hoje considero leves, à época me soavam como gritos.
Durante a universidade essa barreira foi aos poucos sendo rompida, muito por influência de alguns amigos que apresentavam músicas interessantes de Rage Against the Machine a PIL. Comecei a entender melhor o poder de uma música raivosa com sentimento. Me afeiçoei a clássicos do Metallica e do Iron Maiden. Curti Rush. Fui aos poucos fazendo minhas próprias descobertas, ao ponto de me apaixonar por System of a Down sem qualquer influência, descobri catando clipes na MTV. Hoje, sou aficionado pelo SOAD. Música excelente, inclusive como trilha sonora para apoiar a concentração durante o trabalho. ;-)
Hoje voltei a ouvir Rage Against. Estou ripando para Mp3 todos os meus CDs, por ordem alfabética. Hoje terminei de ripar os Rs. Renato Russo, R.E.M, Radiohead, Roberta Sá, Ramones e por aí vai. E Rage Against. Quis ouvir "Killing in the Name" de novo, só para ver se ia gostar. Acho que lá já se iam alguns bons anos. E foi como reencontrar um velho amigo, que me ajudava a estudar para provas, que me ajudava a pular feito bobo na sala, sozinho, gritando e descontando no ar frustrações ou apenas permitindo extravasar emoções. Sim, foi um reencontro interessante e emocionante. Ouvi o álbum todo.
Não vejo a hora de chegar ao "S" e rever os velhos amigos de origem armena...
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Aviões
Voltei de viagem. Viajei de avião. Tenho alguns breves comentários.
Assisti este vídeo do Seinfeld
http://www.youtube.com/watch?v=qY5AVBSjTAQ
Por volta do minuto 6:30h.
E quando os comissários de vôo deram as instruções de segurança e "apontaram" para as saídas de emergência foi difícil não dar risada. E também fui conferir a existência de espaço para barbeadores no banheiro, mas não encontrei no Fokker 100 (Lyon-Lisboa) e nem na outra aeronave que fez o trecho Lisboa-Brasília. Acho que os aviões americanos são mais completos. ;-)
É legal poder assistir filmes na viagem. Na ida, assisti "Viagem ao Centro da Terra" e "Hancock". E na volta, "Ghost Town". Optei sempre por filmes que não queria muito ver, pois apesar de "legal" para passar o tempo, a imagem não tem essa qualidade toda e a tela é muito pequena. Finalmente, legendas em português de Portugal não dá. É a mesma língua, mas é como se fossem línguas irmãs que brigaram na adolescência e nunca mais se falaram. Quanta diferença! Por vezes, me apoiei mais no áudio original do que nas legendas. Foi bom para aprender algumas gírias lusitanas. O próprio termo "giro", para "cool" ou "cute" que não é tão incomum, foi novidade para mim.
Finalmente, ainda me surpreende que batam palmas quando o avião pousa. Ocorreu no ano passado e também neste ano. É até natural a ansiedade em pousar após viagens longas, retornar ao solo. Mas é engraçado ver as pessoas aplaudindo entusiasmadas. É como se um pouso normal fosse o inesperado e merecesse uma ovação por ser bem-sucedido.
Assisti este vídeo do Seinfeld
http://www.youtube.com/watch?v=qY5AVBSjTAQ
Por volta do minuto 6:30h.
E quando os comissários de vôo deram as instruções de segurança e "apontaram" para as saídas de emergência foi difícil não dar risada. E também fui conferir a existência de espaço para barbeadores no banheiro, mas não encontrei no Fokker 100 (Lyon-Lisboa) e nem na outra aeronave que fez o trecho Lisboa-Brasília. Acho que os aviões americanos são mais completos. ;-)
É legal poder assistir filmes na viagem. Na ida, assisti "Viagem ao Centro da Terra" e "Hancock". E na volta, "Ghost Town". Optei sempre por filmes que não queria muito ver, pois apesar de "legal" para passar o tempo, a imagem não tem essa qualidade toda e a tela é muito pequena. Finalmente, legendas em português de Portugal não dá. É a mesma língua, mas é como se fossem línguas irmãs que brigaram na adolescência e nunca mais se falaram. Quanta diferença! Por vezes, me apoiei mais no áudio original do que nas legendas. Foi bom para aprender algumas gírias lusitanas. O próprio termo "giro", para "cool" ou "cute" que não é tão incomum, foi novidade para mim.
Finalmente, ainda me surpreende que batam palmas quando o avião pousa. Ocorreu no ano passado e também neste ano. É até natural a ansiedade em pousar após viagens longas, retornar ao solo. Mas é engraçado ver as pessoas aplaudindo entusiasmadas. É como se um pouso normal fosse o inesperado e merecesse uma ovação por ser bem-sucedido.
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